Conto sem nome
“Não creio que eu tivesse muita motivação para continuar a viver. Como muitos eu me considerava gótica e vivia largada por ai. Meu nome ainda não era Khristin. Isso foi uma idéia do meu criador. Não me recordo de meu antigo nome. Mas era algo nesse sentido. Também não tenho mais sobrenome. Ventrue é o nome de meu clã, é assim que me apresento. Muito Prazer. Sou Khristin Ventrue.”
“Como muitos mortais eu ansiava por conhecer o mundo e viver aventuras. Agora eu vejo que encontrei muito mais do que imaginava. Mas a que preço? Eu fazia parte de um grupo, evidentemente de góticos, saímos por ai e não fazíamos muito mais. Tomávamos muitas garrafas de vinho toda noite e algumas vezes usávamos drogas pesadas, como cocaína. Mas naquela noite eu não havia bebido, nem me drogado. Estava tão sóbria quanto estou agora. Eu estava em um bar, com mais algumas amigas. Deveríamos estar em três ou quatro, quando dois amigos nosso chegaram com um amigo deles que havia acabado de chegar à cidade. Seu nome era Lucius. Nós saímos do bar e fomos a um cemitério, pois um de nossos amigos estava com algumas garrafas. Eu e Lucius estávamos conversando e então ele me abraçou e sussurrou no meu ouvido:
-Não tenha medo… Amanhã seu mundo será algo novo… Eu estava atrás de você há muito tempo, Khristin…”.
“Não me lembro de todo o resto do que aconteceu naquela noite. Quando acordei estava em um apartamento e ainda era noite. Eu me levantei e caminhei até um espelho e gritei quando vi meu reflexo. Gritei, pois não havia nenhum reflexo! Olhei para as minhas mãos, estavam tão brancas quanto à neve e eu podia ver minhas veias tão claramente quanto nunca havia visto antes. Perguntei-me o que estava acontecendo e foi quando ouvi alguém entrando. Era Lucius. Ele sorriu quando me viu, mas seu sorriso era algo tão sinistro que senti mais medo do que quando vi minha pele. Mas ele talvez nem tenha percebido isso, pois caminhou até mim e segurou minha mão e disse:
-Não tema. Você está segura agora.
-O que aconteceu? –Perguntei me sentindo surpresa de ouvir minha voz, que soou tão estranha para mim como se eu nunca a tivesse ouvido.
-Espero que acredite em vampiros, Khristin… Pois agora você é uma deles.
Eu não entendi o que estava acontecendo e creio que nem agora eu entenda plenamente. Lucius me disse que estava atrás de mim já há algum tempo, pois me vira diversas vezes e me achara atraente.”.
“Ele foi um bom professor para mim. Ensinou-me como caçar. As seis tradições sagradas. Como encontrar membros de meu clã quando for a outras cidades e, principalmente, como me defender de outras organizações ou de um ataque dos Lupinos.”.Não tenho noticias dos meus pais, amigos ou parentes desde que sai de casa naquela noite. Isto foi há dez anos e só agora me sinto impelida a escrever. Não sei quem irá ler esta carta, tudo o que sei é que paguei um alto preço e que às vezes à imortalidade não trás tanta alegria. Afinal, o que é eterno alem de nós?”

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